magreza extrema

A Estética da Fragilidade

Por que o Sistema quer você cada vez mais magra?

Temos acompanhado um forte retorno da magreza extrema como corpo ideal, principalmente com a popularização de medicamentos inibidores de apetite. E aí, é de se pensar: o corpo de uma mulher em estado de extrema magreza consegue reagir à violência? Consegue fugir de um agressor? Consegue sobreviver a uma internação prolongada em uma UTI? Essas perguntas não são sobre “corpo certo” ou “corpo errado”. São perguntas de sobrevivência.

Contragolpe: a estética é um freio

Historicamente, toda vez que as mulheres conquistam direitos políticos, ocupam espaços de poder ou ganham autonomia financeira, a cultura de massa responde impondo um padrão de beleza mais difícil, exaustivo e debilitante de alcançar.

Nos anos 20, tivemos o Sufrágio, mas ao mesmo tempo que o movimento feminista lutava por direitos politicos, o corpo ideal era o corpo “melindrosa”: reto, magro, sem curvas, quase infantil.

A famosa frase “We Can Do It!” faz parte do clássico cartaz criado por J. Howard Miller, durante a Segunda Guerra Mundial, feito para motivar operárias, pois com os homens na guerra, as mulheres tinham que trabalhar pra se sustentar e para sustentar a economia. O fim da guerra trouxe o retorno dos soldados e a necessidade de abrir mais postos de trabalho. A cultura de massa, ou seja, a televisão, a publicidade e etc, ditava regras: a prioridade máxima de uma esposa deveria ser a felicidade do marido e a manutenção de uma casa impecável.

Entre os anos 60 e 80 veio a Revolução Sexual e Cultural, marcada pelo lema “o pessoal é político”. Trouxe para o debate a igualdade salarial, a divisão de tarefas domésticas, o combate à violência doméstica, o direito ao aborto e a liberação sexual feminina. Assim, nos anos 90, após os avanços das décadas anteriores, com mulheres consolidando carreiras, veio o Heroin Chic. A estética da exaustão, das olheiras e da fragilidade extrema era a resposta visual a uma geração de mulheres que se tornava “forte demais”.

Já entre os anos 1990 e 2010, passou-se a discutir-se muito a interseccionalidade e a diversidade, ou seja, como o gênero se cruza com raça, classe, orientação sexual e identidade de gênero. Nesse período também as redes sociais e da tecnologia passaram a ser bastante usadas como ferramente de combate ao assédio, a misoginia e a violência. Nos anos 2020, depois do movimento Me Too, que uncentivou mulheres a denunciarem ageressores e assediadores, tivemos o retorno da magreza extrema como padrão de beleza. O sistema quer você ocupando o menor espaço físico possível no exato momento em que estamos ocupando o maior espaço social da história.

Um corpo sem reserva de gordura e sem densidade muscular é um corpo biologicamente vulnerável. Em uma situação de agressão, a diferença de força entre um homem, que j´s costuma ser comim, é ainda mais intensificada. Hoje o homem é incentivado a ser “alfa” e musculoso, e uma mulher é incentivada a ser “eterea e transparente”. Ima ferramenta de dominação. Uma mulher em constante restrição calórica vive em estado de exaustão fisica e mental; ela não tem energia para a revolta, muito menos para a autodefesa.

A Magreza e o Movimento Redpill

A ascensão da extrema direita e a popularização de discursos redpill não estão desconectadas dessa volta à magreza. Esses movimentos defendem o retorno aos “papéis tradicionais de gênero”, onde o homem é o protetor e a mulher é o objeto submisso. Para que essa dinâmica de poder faça sentido, a mulher precisa visualmente parecer que precisa de proteção. A magreza extrema é a tradução estética da submissão. É por isso que esses grupos destilam tanto ódio contra a diversidade corporal: mulheres que treinam e são mais musculosas são chamadas de masculinizadas; mulheres mid-seized sofrem body-shaming para acreditarem que estão muito acima do peso udeal e precisam emagrecer; enquanto mulheres obesas não são nem vistas como seres humanos, muito menos objeto de desejo ou afeição.

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