Blog do Marc – Notas sobre filmes que vi pela primeira vez em junho de 2026

filmes clássicos e ainda ação e horror entre os lançamentos de 2026

Sem Saída (Eden Lake, 2008)

Um casal (Kelly Reilly e Michael Fassbender) decide passar um fim de semana romântico às margens de um lago isolado. O que começa como uma viagem tranquila logo se transforma em um pesadelo quando eles entram em conflito com um grupo de aborrescentes violentos.

Até tinha potencial para ser um bom representante moderno dos thrillers de sobrevivência dos anos 70. Erra que em vez de seguir o caminho das reviravoltas marcantes presentes nos melhores filmes de Wes Craven, prefere apostar no discurso de que as pessoas são um produto do ambiente em que vivem. O resultado é um desfecho pretensioso que tenta chocar, mas acaba sendo apenas previsível e chato.

Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn, 1949)

O jovem aristocrata irlandês Charles Adare (Michael Wilding) viaja para a Austrália em busca de fortuna. Lá, conhece Sam Flusky (Joseph Cotten), um ex-presidiário que enriqueceu como fazendeiro, e é casado com Lady Henrietta (Ingrid Bergman), prima de Charles. Reclusa, traumatizada pelos segredos do passado e entregue ao alcoolismo, Henrietta desperta a compaixão de Charles, que tenta ajudá-la a recuperar a autoestima e a sanidade. A proximidade entre os dois, porém, desperta o ciúme de Sam e alimenta as intrigas da sinistra governanta Milly (Margaret Leighton).

Hitchcock se afasta do suspense tradicional e mergulha no melodrama, construindo uma narrativa marcada pela tensão psicológica, pelas emoções reprimidas e pelos segredos familiares. Os longos planos-sequência são um dos grandes destaques: a câmera percorre os ambientes da mansão com uma fluidez que reforça a sensação de confinamento e sufocamento emocional. Bergman entrega uma atuação intensa e envolvente, coroada por um extraordinário monólogo de confissão.

Casamento Sangrento: A Viúva (Ready or Not 2: Here I Come, 2026)

Dá continuidade imediata aos acontecimentos do primeiro filme. Após sobreviver ao massacre da família Le Domas, Grace (Samara Weaving) acredita que finalmente está livre, mas descobre que sua vitória apenas a colocou em um jogo ainda maior. Ao lado de sua irmã distante, Faith (Kathryn Newton), ela passa a ser caçada por poderosas famílias que disputam um ritual mortal capaz de decidir quem controlará uma sociedade secreta.

A sequência segue o caminho esperado ao ampliar a escala da história original. A mistura de ação, humor ácido e violência exagerada continua divertida na maior parte do tempo, e Weaving permanece ótima como protagonista, com seu carisma sustentando o filme. O elenco de apoio chama atenção, com nomes como Sarah Michelle Gellar e até David Cronenberg. Ainda assim, o longa oferece pouco em termos de originalidade ou de expansão da mitologia apresentada no primeiro filme, tornando sua existência difícil de justificar.

Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary, 2026)

Ryland Grace (Ryan Gosling), desperta sozinho a bordo de uma nave espacial, sem qualquer memória de quem é ou de como chegou ali. À medida que suas lembranças retornam, ele descobre que foi enviado em uma missão desesperada para salvar a Terra de uma ameaça capaz de extinguir o Sol. Em meio ao isolamento do espaço profundo, uma amizade inesperada pode se tornar a chave para o futuro da humanidade.

Project Hail Mary lembra uma versão em live-action de uma animação fraca da Pixar. A longa duração pesa, e as constantes mudanças de tom prejudicam a experiência. Assim como em muitos filmes da Marvel, cenas dramáticas são frequentemente interrompidas por piadinhas ruins. A alternância entre os flashbacks na Terra e os acontecimentos na nave existe para isso, e nem sempre consegue disfarçar essa irregularidade.

Gosling até consegue sustentar boa parte da narrativa sozinho, e os efeitos visuais são competentes. Ainda assim, o filme insiste em forçar um sentimentalismo que parece calculado para conquistar o público. Considerando o enorme sucesso que alcançou, é difícil dizer que essa estratégia não funciona.

O Drama (The Drama, 2026)

Charlie (Robert Pattinson) e Emma (Zendaya) parecem o casal perfeito e estão a apenas uma semana do casamento. O conto de fadas começa a desmoronar durante um jantar com os padrinhos, Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie), quando eles resolvem brincar de fazer revelações e respondem à pergunta: “Qual é a pior coisa que você já fez na vida?”. Emma então conta que, quando era uma adolescente deprimida, planejou meticulosamente um massacre armado em sua escola, desistindo apenas no último momento. A confissão desencadeia uma paranoia incontrolável em Charlie.

Comecei a assistir a The Drama sem saber absolutamente nada sobre o filme, esperando apenas uma dramédia comum sobre conflitos de casal. De repente, a história me surpreende ao tocar na questão do controle de armas e na banalização dos massacres escolares. O problema é que o filme nunca tem coragem de mergulhar de verdade nesse tema. Sempre que a situação fica interessante, a montagem não linear entra em ação e corta para outro momento, desviando do conflito.

O humor supostamente ácido também não funciona. Robert Pattinson leva Charlie a um nível de trapalhão que, em determinado momento, lembra um personagem de Carlos Villagrán em Chapolin, numa sequência de comédia de erros mal construída. Rachel, vivida por Alana Haim, até parece promissora no início, mas logo se transforma numa personagem irritante digna de novela mexicana.

No fim das contas, toda a tensão construída desemboca numa reles comédia romântica — exatamente o que os primeiros minutos já anunciavam.

Congo (1995)

Uma expedição tecnológica nas profundezas da selva do Congo é misteriosamente massacrada. Para descobrir o que aconteceu e encontrar uma rara mina de diamantes azuis, a Dra. Karen Ross (Laura Linney) lidera uma nova equipe financiada por uma megacorporação. Eles se juntam ao primatologista Peter Elliot (Dylan Walsh), que está tentando devolver Amy — uma gorila domesticada que se comunica por linguagem de sinais através de uma luva cibernética — à natureza. Acompanhados pelo excêntrico caçador de tesouros Herkermer Homolka (Tim Curry) e pelo guia experiente Munro (Ernie Hudson), o grupo descobre as ruínas da lendária Cidade Perdida de Zinj. Lá, eles se deparam com uma ameaça terrível: uma raça agressiva de gorilas cinzentos assassinos que guardam as minas.

“O crime é impossível acabar totalmente porque a mente humana veio do macaco, um animal assassino.”

O Ultrage (Outrage, 2010)

No submundo de Tóquio, o poderoso chefão ordena que seu braço direito force um clã aliado menor a se enquadrar. Essa manobra burocrática e cheia de segundas intenções acaba caindo no colo de um calejado chefe (Takeshi Kitano) da Yakuza de baixo escalão que comanda uma família de capangas dedicados a fazer o “trabalho sujo”. O que começa como uma série de intimidações financeiras e disputas territoriais menores rapidamente sai do controle devido à ganância, traições internas e quebras de protocolo. O resultado é uma guerra de facções generalizada e hiperviolenta, onde a lealdade é um conceito ultrapassado e todos tentam passar a perna uns nos outros para subir na hierarquia.

Outrage apresenta uma visão fria e implacável do crime organizado, abandonando qualquer romantização da yakuza. A máfia japonesa é retratada como uma corporação moderna e corrupta, onde assassinatos são apenas cortes de gastos e reestruturações de pessoal. Takeshi Kitano conduz a narrativa com estilo contido, diálogos econômicos e explosões repentinas de violência que tornam o filme constantemente tenso. Não é tão marcante quanto Sonatine, mas boa pedida para quem aprecia thrillers policiais realistas e intensos.

Os Sete Suspeitos (Clue, 1985)

Clue é uma comédia de mistério inspirada no famoso jogo de tabuleiro homônimo. A história acompanha seis desconhecidos convidados para um jantar em uma mansão isolada. Quando um assassinato acontece, todos se tornam suspeitos, e a noite se transforma em uma investigação divertida, repleta de pistas falsas, reviravoltas e situações absurdas.

Misturando humor, mistério e um elenco afiadíssimo, Clue presta uma divertida homenagem aos clássicos romances policiais. O ritmo acelerado, os diálogos espirituosos e as atuações propositalmente exageradas funcionam perfeitamente. O que poderia ter sido apenas uma jogada de marketing para promover o jogo de tabuleiro acabou se tornando uma das adaptações mais engraçadas já feitas.

Tim Curry rouba a cena como o mordomo, comandando um terceiro ato engraçadíssimo enquanto corre de um lado para o outro da mansão para explicar os acontecimentos. Christopher Lloyd, Madeline Kahn e o restante do elenco dão vida aos arquétipos com uma teatralidade irresistível. E, para completar, seu final triplo torna a experiência ainda mais divertida e memorável.

Hokum: O Pesadelo da Bruxa (Hokum, 2026)

Pesadelo da bruxa?! Bem, Hokum acompanha Ohm Bauman (Adam Scott), um escritor de histórias de terror que se hospeda em uma remota pousada na Irlanda. O lugar, porém, guarda uma sombria lenda sobre uma antiga bruxa, e acontecimentos cada vez mais perturbadores fazem com que ele enfrente não apenas forças sobrenaturais, mas também os traumas de seu próprio passado.

A direção é elegante e constrói uma atmosfera inquietante, fazendo um ótimo uso do som e equilibrando sustos eficientes com um mistério de fundo psicológico. Scott até está bem no papel de um protagonista difícil de simpatizar, mas interessante de acompanhar. O problema é que, apesar de tudo funcionar e ser tecnicamente bem executado, nada realmente marca. É competente, bem acabado, mas termina sem deixar uma impressão duradoura.

 Seu Último Refúgio (High Sierra, 1941)

Roy Earle (Humphrey Bogart) acaba de deixar a prisão e é enviado imediatamente para um acampamento nas montanhas, onde liderará um grande assalto. No esconderijo, precisa lidar com comparsas jovens e inexperientes, com Marie (Ida Lupino), uma dançarina que se aproxima dele em busca de proteção, e até com um cachorro considerado azarado. Enquanto organiza o roubo, Roy ainda encontra tempo para ajudar uma jovem com deficiência, por quem acaba se afeiçoando, financiando sua cirurgia.

Humphrey Bogart está excelente como um anti-herói trágico, melancólico e profundamente humano. Roy Earle é um homem fora de seu tempo: um criminoso guiado por um código de honra ultrapassado, tentando encontrar alguma redenção em um mundo que já não tem espaço para ele. A química entre Bogart e Ida Lupino é impecável e acrescenta uma sincera camada de romantismo e desesperança à história. Fechando tudo com chave de ouro, o clímax nas montanhas é espetacular.

Mexicali – Terra sem Lei (Mexicali, 2026)

Joe (Bren Foster), um ex-integrante das forças especiais, abandona a violência para viver em paz como produtor de abacates no México ao lado de sua companheira, Estrella (Tania Raymonde). Quando um cartel local começa a ameaçar sua família, ele é obrigado a recorrer às habilidades que jurou deixar para trás.

Filme de ação direto ao ponto, no melhor estilo das produções lançadas em vídeo nos anos 1990. As cenas de luta e os tiroteios são bem executados, e Foster sustenta o filme com carisma e boa presença física. A história não reserva grandes surpresas, mas a produção compensa o orçamento modesto com coreografias de combate eficientes, personagens simpáticos e um ritmo ágil que mantém o interesse do começo ao fim. Não é memorável, mas certamente vai agradar aos fãs do gênero.

Mike & Nick & Nick & Alice (2026)

Mike (James Marsden) e Nick (Vince Vaughn) são dois amigos criminosos que trabalham para um poderoso chefão da máfia. Quando Mike é acusado injustamente de traição e passa a ser perseguido por um assassino implacável, uma reviravolta inesperada muda o rumo da história: uma versão futura de Nick volta no tempo para tentar salvá-lo. Em meio a viagens temporais, traições e um complicado triângulo amoroso envolvendo Alice (Eiza González), os quatro precisam encontrar uma forma de sobreviver à noite mais perigosa de suas vidas.

O roteiro abraça a complexidade das viagens no tempo e, embora nem todas as suas ideias funcionem com a mesma eficiência, conquista pelo elenco entrosado e pela ousadia de combinar elementos de ficção científica com o universo dos filmes de gangster em uma trama original.

Refém por um Fio (Dead Man’s Wire, 2025)

Drama policial baseado em uma história real. Ambientado na década de 1970, o filme acompanha Tony Kiritsis (Bill Skarsgård), um homem desesperado que invade o escritório de um corretor (Dacre Montgomery) e o faz refém usando uma espingarda presa ao pescoço da vítima por um fio ligado ao gatilho. Horas de negociações tensas se desenrolam, ao mesmo tempo em que vêm à tona as motivações e o estado emocional do sequestrador.

Dead Man’s Wire transforma um caso real incomum em um suspense psicológico envolvente. A direção de Gus Van Sant prioriza os conflitos humanos e mantém um clima de tensão. Com boas atuações, o filme adota um ritmo contido que reforça a complexidade dos fatos reais.

O Clube das Desquitadas (The First Wives Club, 1996)

Três amigas de faculdade (Goldie Hawn, Bette Midler e Diane Keaton) que não se viam há anos se reencontram no funeral de uma quarta amiga em comum, que cometeu suicídio após ser trocada pelo marido por uma mulher muito mais jovem. Ao conversarem, as três percebem que estão passando exatamente pela mesma situação: depois de anos ajudando seus respectivos maridos a alcançarem o sucesso financeiro e profissional, foram cruelmente descartadas por eles. Unidas pela dor e pela indignação, elas decidem criar o “Clube das Desquitadas” com um lema bem claro: não ficar chorando, mas sim dar o troco. Juntas, elas planejam uma elaborada e hilária vingança para atingir os ex-maridos exatamente onde mais dói: no bolso e no ego.

O maior problema do filme é que essa vingança promete ser mais divertida do que realmente é. O trio principal de atrizes tem muito carisma e ótima química em cena, mas o humor oscila bastante. Há momentos realmente engraçados, especialmente nas interações entre as protagonistas, porém eles dividem espaço com várias cenas que simplesmente não têm o mesmo impacto cômico.

Covil de Ladrões 2 (Den of Thieves 2: Pantera)

O detetive “Big Nick” O’Brien continua obstinado em capturar o criminoso Donnie Wilson. A investigação o leva até a Europa, onde Donnie se envolveu com a organização Pantera e participa do planejamento de um ousado assalto a uma das maiores reservas de diamantes do mundo.

Há quem coloque o primeiro Covil de Ladrões no mesmo patamar de Fogo Contra Fogo por tentar reproduzir sua atmosfera urbana e seu estilo. Acho um exagero. É um bom filme de ação, nada além disso. A sequência segue exatamente o mesmo caminho.

A perseguição de carros é muito bem realizada, e todo o planejamento do roubo, assim como sua execução, mantém o interesse durante boa parte da narrativa. Gerard Butler tem o carisma dos astros de ação da velha guarda e convence como o policial bruto, cínico e autodestrutivo que vive no limite da moralidade. Sua química com o personagem de O’Shea Jackson Jr. também funciona muito bem e ajuda a sustentar o filme.

Eles Vão te Matar (They Will Kill You, 2026)

Asia Reaves, uma ex-presidiária, aceita um emprego como governanta em um misterioso edifício de luxo. Logo descobre que o prédio é controlado por um culto satânico responsável por uma série de desaparecimentos. Para sobreviver e salvar a irmã, Asia precisará enfrentar inimigos tão cruéis quanto sobrenaturais.

They Will Kill You mistura terror, ação e humor em uma experiência sangrenta e estilizada. A direção de Kirill Sokolov aposta em um ritmo frenético e em uma estética que lembra Kill Bill, mas principalmente Ready or Not e Everly. A abertura é excelente, os efeitos práticos funcionam muito bem e o equilíbrio entre gore e comédia rende bons momentos de diversão. O problema é que a fórmula vai se desgastando ao longo da narrativa, que perde força e termina de maneira bastante bobinha. Zazie Beetz segura o filme com uma protagonista carismática e convincente, mantendo o interesse mesmo quando a história já não acompanha seu desempenho.

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