Musicais e cinema de ação têm muito em comum

Um pra lá, dois pra cá

Dois gêneros que costumam ser separados em caixas estanques: um seria o ápice da testosterona e da agressividade, enquanto o outro seria o domínio da leveza, do romance e da expressão emocional através da música. À primeira vista, nada parece mais distante do que um tiroteio coreografado por John Wick e um número de sapateado de Gene Kelly em Cantando na Chuva. No entanto, se retirarmos o contexto narrativo, sobra o esqueleto que sustenta ambos: a fisicalidade pura. O cinema de ação e o musical.

A Necessidade da Coreografia e o Papel do “Corpo Extraordinário”

Ambos os gêneros dependem da existência de um corpo capaz de realizar o impossível.
No Musical: O prazer do espectador vem de ver um corpo desafiar a gravidade e o cansaço através da dança.
Na Ação: O prazer vem de ver esse mesmo corpo resistir a impactos, saltar vãos impossíveis e reagir com precisão milimétrica a ataques.


Em ambos os gêneros, o cenário não é apenas um fundo; é um parceiro de cena.
Além disso, tanto nos musicais quanto nos filmes de ação, a figura do coreógrafo é vita. A “luta” é, na verdade, um número musical onde o ritmo é ditado pelos disparos, pelo impacto dos corpos e pela edição. Se o dançarino erra um passo, a harmonia se quebra; se o dublê erra o tempo, a ilusão de perigo desaparece ou alguém se fere gravemente.

Espetáculo

Tanto no musical quanto no filme de ação, há o momento da exposição (diálogos, trama, desenvolvimento de personagem), mas é o espetáculo que domina. Quando a música começa em um musical, ou quando a perseguição de carros se inicia, as regras do mundo real são suspensas. O público aceita que a comunicação agora é puramente visual e cinética.

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