historia dos videoclipes

Vídeoclipes – A Evolução da Música como Experiência Visual

Vídeoclipes unem Música, Cinema e Marketing

Eu amo videoclipes, mas por motivos de falta de grana maior, infelizmente não fui uma adolescente geração MTV. Eu assistia a varios programinhas que surgiam e desapareciam na tv aberta, geralmente como tapa-buraco, ao menos até vir a internet e o YouTube. Porém sempre tive fascinio poe essa faceta visual da música, porque é uma coisa que junta duas que eu amo: música e cinema.

O videoclipe é uma forma de arte híbrida. Ele é uma peça promocional para vender um single; mas também é um curta-metragem que une ritmo, montagem e narrativa visual.

Origens:

A tentativa de unir imagem e som é quase tão antiga quanto o próprio cinema. O Kinetofone (1894) foi um sistema de cinema sonoro primitivo, introduzido por Thomas Edison, que sincronizava um projetor de 35mm com um fonógrafo de cilindro. Foi um dos primeiros esforços para criar “filmes falados”. Já em 1927, The Jazz Singer foi o primeiro filme falado, trazendo performances musicais integradas à narrativa.

Os anos 40 trouxeram os Soundies, os verdadeiros ancestrais do vídeoclipe. Eram filmes de cerca de três minutos exibidos nas máquinas “Panorams” (máquinas similares a Jukeboxes com tela), apresentando grandes nomes do Jazz e do Blues da época.

The Beatles e a televisão

Com a popularização da TV, artistas podiam estar em vários lugares ao mesmo tempo sem viajar. Era comum artistas se apresentarem em programas de televisão. Os Beatles estuveram em vários e tiveram um papel fundamental na transição dos vídeos musicais promocionais dos anos 1940/50 para o que hoje conhecemos como videoclipe moderno. E isso veio do cansaço. Eles estavam exaustos das turnês, das inumeras aparições em programas de tv, então o grupo passou a filmar “clipes promocionais” para músicas, inclusive Strawberry Fields Forever de 1967, introduziu técnicas de vanguarda como filtros de cor, câmera lenta e reversão, saindo do básico “banda tocando” para a “experiência visual”.

Vídeoclipe para impulsionar as paradas

Embora existissem outros clipes antes dele, “Bohemian Rhapsody”, do Queen, é frequentemente citado como o ponto de virada. A banda usou o vídeo para evitar as limitações técnicas de se apresentarem ao vivo em programas de tv, dada a complexidade da música. O vídeo é considerado pioneiro pelas técnicas inovadoras para a época, como efeitos visuais (efeitos de prisma), cortes rápidos e também por mostrar que o sucesso massivo de um vídeo bem produzido poderia, sozinho, impulsionar uma música ao topo das paradas.

Aqui ni Brasil, nos anos 70, o programa Fantástico foi o grande palco experimental. Artistas como Secos & Molhados e Raul Seixas utilizavam recursos de sobreposição e efeitos ópticos, dando o ponta pé inicial da história dos videoclipes no Brasil.

A MTV e a Era de Ouro dos Vídeoclipes

Em 1º de agosto de 1981, a MTV entrou no ar com a profética Video Killed the Radio Star, da banda The Buggles . A partir dali, a música, praticamente, passou a ser obrigatoriamente visual.

Em 1981, Michael Jackson lançou”Thriller” e elevou os vídeoclipes a outro patamar. Dirigido por John Landis, o vídeo era um curta com 14 minutos de duração, maquiagem impecável, coreografia, participação de Vincent Price, um verdadeiro evento cinematográfico. Michael Jackson alias trabalharia com alguns grandes diretores de cinema em seus videos, além do Landis, como Scorsese e Spike Lee.

Além de Jackson, outros artistas como Madonna, Duran Duran e Prince usaram o vídeo para construir sua estetica visual e viraram ícones de moda e comportamento.

No Brasil, nos anos 80, com a explosão do BRock, com bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Britz, o videoclipe se tornou essencia e ajudaram a moldar a estética da década. Foi um período de orçamentos baixos compensados por ideias criativas, muitas vezes flertando com o cinema super-8 e a estética new wave.

Vídeoclipes e o cinema autoral

Nos anos 90, o orçamento para videoclipes explodiu, e o formato tornou-se um celeiro de talentos para o cinema. Diretores como David Fincher, Spike Jonze e Michel Gondry trouxeram linguagens experimentais, metalinguagem e técnicas de câmera inovadoras. Nessa década, o clipe deixou de ser apenas sobre o artista e passou a ser sobre a visão do diretor.

No Brasil, nesse período, foi a inaugurada a MTV Brasil. Diretores como Katia Lund trouxeram uma sofisticação cinematográfica para o formato e os videoclipes deixaram de ser um quadro de programa para se tornar peça importante na divulgação de artistas. O VMB (Video Music Brasil) tornou-se o prêmio cobiçado, provando que o clipe brasileiro tinha qualidade técnica.

A Era Digital

O YouTube diminuiu aunportância da MTV ( a quem diga que a matou mesmo), mas permitiu que artistas independentes criassem vídeos sem precisar do aval de grandes gravadoras. E também que artistas fora do dos EUA também fossem virais, como o sucesso absurdo do Gangnam style do Psy.

Hoje o investimento em vídeos é menor do que em meados de 2000, pois há muitas outras formas de se divulgar uma música, e a era de ouro do Youtube parece ter acabado, embora alguns artistas, tanto no mainstream quanto entre os independentes, ainda sugam criando seus vídeos. Apesar das mudanças nas plataformas de consumo, o videoclipe continua sendo a ferramenta poderosa de branding para um artista. Ele é o ponto onde a música ganha corpo, visual e o artista tem rosto e pode expressar de forma clara sua estetica, para além das sonoridades.

Eu fiz uma playlist com alguns dos videoclipes que eu mas gosto, sem ordem, só pela memória mesmo

Acompanhe nossos conteúdos em vídeo

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Rolar para cima
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x
Verified by MonsterInsights