Vários filmes de 2026
Dança da Morte (Tantsy Nasmert, 2017)
Em um futuro pós-apocalíptico no ano de 2070, Moscou está destruída e a humanidade sobrevive às custas de uma tecnologia brutal: os governantes extraem energia vital de jovens para manter a cidade de pé. Os participantes são selecionados para competir em uma arena de dança mortal, onde o perdedor tem sua energia sugada até a morte. Quando Kostya é capturado e forçado a entrar no torneio, ele precisa lutar pela sobrevivência enquanto se apaixona pela filha de um membro de alto escalão que se ofereceu para participar, e descobre os segredos sombrios por trás do espetáculo.
É uma produção russa curiosa, especialmente para quem gosta de distopias de baixo orçamento. A premissa tinha potencial, mas o filme acaba prejudicado exatamente pelas cenas de dança, que deveriam ser seu grande diferencial, ajudando a criar uma identidade própria e a destacá-lo em meio a tantas produções do gênero. A execução acaba ficando aquém das ideias apresentadas.
A tal dança do título acaba sendo genérica e repetitiva, quando o filme poderia ter explorado diferentes estilos ou até incorporado a coisa às próprias cenas de ação. No fim, acaba com uma sensação de mais do mesmo. Pelo menos, visualmente, é um filme bem-feitinho.
O Sussurro (El susurro, 2025)
Assombrados pelo legado vampírico do pai, os irmãos Lucía e Adrián se refugiam em uma casa isolada na floresta. Quando Lucía começa a investigar acontecimentos estranhos ao redor da casa, precisa lidar com um bando criminoso envolvido no desaparecimento de adolescentes, além da maldição familiar que ameaça os dois.
O filme tem uma atmosfera sombria e protagonistas que cativam, mas, quando começa a revelar suas cartas, acaba sendo apenas mais do mesmo. É um drama de horror vampiresco que não foge muito do óbvio, recorrendo àquela psicologia de botequim que tomou o gênero de assalto nos últimos anos. No fim, não chega a ser ruim, mas não deixará alguma marca na memória depois dos créditos.
A Última Casa (The Last House, 2026)
Uma família de quatro pessoas se vê misteriosamente presa dentro da própria casa, sem conseguir abrir portas ou janelas. Enquanto os dias chuvosos se transformam em semanas e anos, a comida e outros recursos começam a acabar, obrigando-os a lutar para sobreviver e descobrir o que os mantém confinados.
Quando Wagner Moura solta aquele peixe do anzol e o cgi tosco sai, feliz da vida, todo rebolativo pela água, senti que estava prestes a assistir a mais uma bomba produzida pela Netflix. Depois disso, o filme até parece promissor, com aquela dinâmica clássica de sobrevivência em espaço confinado e a sustentação do mistério que causou aquela situação. O problema é que, quando o clímax se aproxima e chega a hora de começar a dar algumas respostas, a bagaça perde o rumo, fica repetitiva e acaba desandando em um final covarde, que deixa claro que aqueles protagonistas nunca estiveram realmente em perigo. Afinal, o roteiro parece ter pena demais deles o tempo todo.
Scarlet (Hateshinaki Scarlet, 2025)
Na Dinamarca do século XVI, a princesa Scarlet parte em uma jornada para vingar a morte do pai, assassinado pelo próprio tio, Claudius. Após fracassar em sua tentativa de vingança, ela desperta em uma dimensão entre a vida e a morte, onde conhece Hijiri, um jovem do Japão contemporâneo que a faz questionar seu desejo de vingança e a possibilidade de encontrar outro sentido para sua existência.
Releitura de Hamlet que não chega a impressionar nem mesmo pelo visual, que transita entre 2D e 3D de maneira constante. Talvez tenha sido um mau negócio assistir a Scarlet poucos dias depois de rever Akira em 4K nos cinemas, esta sim uma animação deslumbrante. Fora isso, a narrativa é irregular, e algumas de suas ideias sobre vingança, perdão e violência são desenvolvidas de maneira superficial. A própria protagonista também não ajuda muito, sendo pouco carismática e difícil de acompanhar durante boa parte da história.
Extermínio: O Templo dos Ossos (28 Years Later: The Bone Temple, 2026)
Após os acontecimentos do filme anterior, Spike cai nas mãos de Jimmy Crystal, líder de uma violenta seita que percorre a Inglaterra pós-apocalíptica aterrorizando os sobreviventes. Enquanto isso, o Dr. Ian Kelson pesquisa o misterioso infectado Alfa chamado Samson e faz uma descoberta que pode mudar o destino da humanidade.
Novo capítulo do universo iniciado em Extermínio (2002) e continuação direta do retorno da franquia, 28 Years Later: The Bone Temple é o primeiro filme da série de que realmente gosto. Nia DaCosta assume a direção com bastante personalidade e entrega uma sequência mais brutal, perturbadora e imprevisível. Ralph Fiennes está excelente, e sua performance na cena ao som de Iron Maiden é um dos grandes momentos do filme e do cinema em 2026. É um filme violento e visualmente inventivo, que consegue fugir do lugar-comum da franquia. Nem mesmo o epílogo, preparando o terreno para o próximo capítulo, atrapalha.
Uma Manhã Gloriosa (Morning Glory, 2010)
Becky Fuller é uma jovem produtora de televisão incansável e apaixonada pelo que faz. Após ser demitida de seu emprego local, ela consegue uma oportunidade para assumir um programa matutino de notícias que enfrenta uma queda histórica de audiência. Becky toma a arriscada decisão de contratar Mike Pomeroy, um lendário e ranzinza jornalista investigativo que despreza fofocas de celebridades e pautas leves. Enquanto tenta equilibrar as disputas entre os apresentadores e recuperar a audiência, Becky também precisa manter sua vida pessoal nos eixos.
É uma comédia leve e divertida sobre os bastidores da televisão, que funciona principalmente graças ao carisma de Rachel McAdams, Harrison Ford e Diane Keaton. O filme funciona muito bem quando explora o choque entre a experiência jornalística tradicional e a necessidade de produzir entretenimento para conquistar audiência. Apesar de seguir uma fórmula bastante previsível, o ritmo ágil, os diálogos bem-humorados e o bom elenco garantem uma experiência agradável.
Supergirl (2026)
Kara Zor-El, a Supergirl, embarca em uma tediosa jornada intergaláctica ao lado de uma garota que busca vingança contra o mercenário, e vilão de segunda categoria, Krem, responsável pela morte de seu pai. A missão leva as duas a diferentes planetas, que acabam parecendo variações do mesmo cenário, enquanto enfrentam perigos que colocam à prova os poderes de Kara e suas próprias convicções. No caminho, a heroína ainda precisa lidar com o caçador de recompensas Lobo.
Supergirl tenta apresentar uma versão mais rebelde e desencantada de Kara Zor-El, mas nunca convence. A relação entre Kara e a guria também se mostra cansativa e repetitiva, sem conseguir criar uma dinâmica realmente interessante entre as personagens. O longa ainda sofre com sequências de ação pouco inspiradas e uma pobreza visual que parece cada vez mais comum nos filmes de super-heróis.
Jason Momoa como Lobo funciona mais como um aceno ao público do que como uma presença realmente necessária para a história. O filme poderia passar tranquilamente sem o personagem. Por enquanto, o novo DCU ainda não está me empolgando.
O Resgate do Bandoleiro (The Tall T, 1957)
Pat Brennan é um cowboy e ex-capataz que tenta construir uma nova vida trabalhando na criação de gado. Depois de perder seu cavalo em uma aposta, consegue uma carona em uma diligência onde viajam os recém-casados Willard Mims e Doretta Mims, uma jovem herdeira. A viagem, porém, é interrompida por uma emboscada comandada por Frank Usher e seus dois comparsas. Ao descobrirem que Doretta é filha de um homem rico, os criminosos decidem mantê-la e Brennan como reféns em uma estação isolada, esperando receber um resgate. Brennan terá de usar sua inteligência para explorar as divergências dentro da própria gangue e encontrar uma maneira de salvar a si mesmo e Doretta antes que seja tarde demais.
Mais um ótimo faroeste da parceria entre Budd Boetticher e Randolph Scott. Com poucos personagens, paisagens áridas e diálogos econômicos, o filme constrói o suspense sem depender de grandes tiroteios. O roteiro aposta principalmente nos diálogos e na tensão entre os personagens, desenvolvendo um olhar direto e pragmático sobre a natureza humana.Boa parte da força do filme está na relação entre Brennan e Usher. Richard Boone entrega uma bela atuação como um criminoso mais complexo do que aparenta, que desenvolve um estranho respeito por seu adversário. Essa relação cria uma tensão constante e faz do confronto entre os dois o verdadeiro centro do filme.
Enigma (2001)
Durante a Segunda Guerra Mundial, o jovem matemático e criptógrafo Tom Jericho retorna a Bletchley Park para tentar decifrar uma nova versão do código Enigma, utilizado pelos alemães. Enquanto trabalha contra o tempo para evitar um possível desastre, ele descobre que sua antiga paixão, Claire, desapareceu misteriosamente e pode estar envolvida em uma conspiração dentro do próprio centro de inteligência.
Enigma é um elegante thriller de espionagem que combina criptografia, romance e intriga em meio à Segunda Guerra Mundial. Dougray Scott não convence muito como o protagonista atormentado, mas Kate Winslet demonstra o talento de sempre. A narrativa mantém o interesse, mas nunca a ponto de empolgar. Ainda assim, consegue prender a atenção até o fim. É alguma coisa.
O Fim da Rua (The End of Oak Street, 2026)
Em 1982, a família Platt vive os problemas de uma rotina suburbana aparentemente tranquila quando um misterioso evento cósmico transporta todo o bairro de Oak Street para uma era pré-histórica. Cercados por dinossauros e outras criaturas perigosas, Greg e Denise precisam deixar suas diferenças de lado para proteger os filhos e encontrar uma maneira de sobreviver naquele ambiente completamente desconhecido.
The End of Oak Street mistura aventura de sobrevivência, ficção científica e criaturas pré-históricas com drama familiar. O elenco funciona bem, enquanto os dinossauros protagonizam algumas das sequências mais tensas desde os primeiros Jurassic Park. A produção combina a nostalgia das aventuras à la Spielberg (J.J. Abrams produz) com uma atmosfera mais estranha e autoral, característica do diretor David Robert Mitchell. Em alguns momentos, porém, o toque de Abrams acaba se sobrepondo ao estilo do diretor. Ainda assim, o filme tem boas doses de suspense e o drama familiar funciona melhor do que em The Last House. E os dinos são bacanudos, bem longe das bobagens mutantes de Jurassic World.
Curiosamente, o filme me lembrou dois tokusatsu dos anos 80. Toda a situação dos humanos tentando sobreviver em meio às criaturas me fez imaginar como seria o Império dos Monstros de Jaspion (1985) com uma produção mais endinheirada. Já o final, bobinho e forçado, me lembrou a conclusão nada a ver de Jaspion 2/Spielvan (1986). Risos.
A Face Oculta da Lei (Dark Blue, 2002)
Em Los Angeles, nos dias que antecedem o veredito do caso Rodney King, o veterano policial corrupto Eldon Perry trabalha em uma unidade especial usando métodos violentos e pouco ortodoxos. Quando recebe de seu mentor a missão de investigar um massacre ocorrido durante um assalto e incriminar dois ex-presidiários pelo crime, Perry começa a lidar com alguns questionamentos, principalmente porque seu novo parceiro, um policial novato, discorda de seus métodos e está disposto a denunciar seus superiores. Enquanto a tensão racial aumenta nas ruas, Eldon precisa decidir até onde está disposto a seguir as ordens que recebe.
Dark Blue é um filme competente. Talvez não aprofunde seus personagens tanto quanto poderia ou explore todo o potencial dramático da história, mas consegue criar um retrato desconfortável de uma cidade marcada pela desigualdade racial e pela corrupção policial. Apesar de algumas soluções previsíveis, o longa mantém uma atmosfera pesada e bons momentos de tensão, sustentando o interesse até o final.
Acampamento Miasma: Adolescência, sexo e morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma, 2026)
Após anos de continuações mal recebidas, a franquia de terror Camp Miasma ganha uma nova chance sob o comando da jovem cineasta Kris. Obcecada pelo filme original, ela procura Billy Presley, a atriz reclusa que interpretou sua icônica final girl. O encontro entre as duas acaba mergulhando-as em um universo cada vez mais perturbador, onde desejo, medo, fantasia e realidade começam a se confundir.
Acampamento Miasma é um slasher surreal e metalinguístico que usa as convenções do terror para falar sobre identidade, desejo, trauma e etc. Schoenbrun aposta mais na atmosfera, no estranhamento e nas camadas psicológicas do que no terror convencional, mas o problema é que tudo acaba sendo explicado demais. A narrativa quer se passar como abstrata, ousada e original, mas passa longe de impressionar alguém que cresceu assistindo a David Lynch, que nunca precisou entregar tudo mastigadinho para o espectador. As tentativas de humor também não funcionam para mim, como o jorro de sangue toda vez que alguém perde a cabeça. Parece fora do lugar. Falta timing. O filme dentro do filme, por sua vez, parece muito mais uma obra da própria Schoenbrun do que um slasher dos anos 80. O videoclipe de Everyday, da Weyes Blood, fez melhor.
Hannah Einbinder e Gillian Anderson estão ótimas, especialmente Anderson, que imprime à misteriosa Billy uma presença fascinante e inquietante. A dupla, junto com alguns bons momentos — como a reunião online —, é o que mantém o interesse até o fim.

















