Rock Music domina
Top 10

01. Your God Fearing Days Are About To Begin — Saint Agnes
O Saint Agnes mistura punk, industrial e influências eletrônicas em um álbum intenso do começo ao fim. A produção do terceiro trabalho da banda aposta em texturas sujas e pesadas, enquanto as letras abordam temas como religião, poder e opressão. A mixagem encorpada potencializa a agressividade das músicas e, em diversos momentos, evoca a energia caótica do Nine Inch Nails, especialmente em Song For Mia, Everything You Denied e Gods of War. Já a faixa de abertura, Good Boy, traz a mesma energia explosiva das melhores gravações do Garbage.
A vocalista Kitty A. Austen combina doçura e aspereza na medida certa, um contraste que considero irresistível. Tenho um carinho especial por bandas com vocais femininos, e ela entrega exatamente o tipo de interpretação que mais me agrada.
02. Hate That I Care — Dea Matrona
Composto, produzido e gravado inteiramente por Mollie McGinn e Orláith Forsythe, este álbum mostra o duo irlandês abraçando um alt-rock muito mais sombrio, afiado e confessional. O som mergulha nas influências do rock gótico e do power pop dos anos 80 e 90, como um encontro entre Siouxsie and the Banshees e Veruca Salt.
A faixa-título é uma delicinha, e o álbum cresce a cada música, dando a impressão de que uma sempre consegue superar a anterior. Ainda acho que John Doe é a minha favorita — embora eu não tenha tanta certeza disso. Enfim, uma ótima trilha sonora para acompanhar as horas em que estou escrevendo meu novo livro.


03. Until You’re Satisfied — YONAKA
O segundo álbum da banda alterna explosões de guitarras com atmosferas melancólicas, encontrando um equilíbrio convincente entre o peso do rock alternativo e uma produção moderna de forte apelo radiofônico.
As guitarras soam encorpadas e cheias de impacto, mas sem sufocar as melodias, que permanecem acessíveis e marcantes. Problems é um dos grandes destaques: um rock intenso, impulsionado por um refrão explosivo e contagiante que resume bem a energia do álbum.
Sem reinventar o gênero, o YONAKA entrega um disco consistente, repleto de canções fortes e refrões memoráveis, mantendo a intensidade do início ao fim.
04. The Beast Goes On — Starbenders
Fusão do glam rock setentista com o rock alternativo dos anos 80 e 90 em um trabalho cheio de personalidade. O quarteto combina riffs marcantes, refrões grandiosos e uma estética teatral que remete às décadas de 1970 e 1980 sem soar excessivamente nostálgica.
É um disco carregado de energia, com músicas que parecem feitas para grandes arenas. Kimi Shelter entrega uma performance vocal excelente, enquanto as guitarras transbordam atitude do início ao fim. O álbum passeia com naturalidade entre a fúria de Nothing Change, a melancolia de Hello Goodbye e da belíssima Cold Silver, sem perder a intensidade. Já Tokyo é um dos grandes destaques: um rock vibrante, repleto de sintetizadores, que remete a algumas das melhores bandas dos anos 80. Um álbum divertido, marcante e executado com enorme confiança.


05. LOOKING FOR PEOPLE TO UNFOLLOW — Ecca Vandal
Mistura punk, rap, rock alternativo e música eletrônica sem seguir fórmulas previsíveis. As letras são críticas, sarcásticas e cheias de personalidade, enquanto a diversidade sonora impede qualquer sensação de repetição.
É um álbum caótico e repleto de deboche sobre a era das redes sociais. Ecca Vandal entrega uma das performances vocais mais revigorantes que ouvi no punk nos últimos tempos, conduzindo um trabalho que mantém a intensidade do começo ao fim.
A sequência de faixas é excelente e faz o álbum passar voando. SORRY CRASH é simplesmente de tirar o fôlego, e CRUISING TO SELF SOOTHE se tornou uma presença constante nas minhas playlists — já faz meses que volto a ela regularmente. Um disco fácil de ouvir do início ao fim e que não perde o impacto em novas audições.
06. Run, Run Pure Beauty – Francis of Delirium
Um indie rock emocional que equilibra delicadeza e explosões de intensidade. Os arranjos crescem de maneira orgânica, acompanhando a carga emocional das canções e dando ainda mais destaque às interpretações vocais.
O resultado é um álbum envolvente, vibrante e cheio de energia, que nunca perde a sensibilidade. As melodias são cativantes e a intensidade surge sempre no momento certo, tornando a experiência bastante marcante. Entre os destaques, Higher é simplesmente linda e uma das melhores faixas do disco junto com Out Tonight e Little Black Dress.


07. Visions — Alice Merton
Alice Merton resgata a energia das grandes cantoras de pop alternativo dos anos 90, fugindo da onda de artistas que dizem ter referências de décadas passadas e acabam soando como novas versões de Taylor Swift. Suas músicas falam sobre as incertezas do futuro com intensidade e autenticidade. As composições são elegantes, os refrões surgem de forma natural. Alt-pop guiado por linhas de baixo marcantes e melodias que ficam na cabeça sem recorrer a fórmulas óbvias.
É um trabalho que demonstra maturidade sem abrir mão da energia que marcou seus lançamentos anteriores. A abertura com Ignorance Is Bliss já deixa claro o nível do disco, que mantém a qualidade até o fim.
08. Worst Girl in America – Slayyyter
Marca uma virada de chave brilhante na carreira de Slayyyter. Em seu terceiro álbum de estúdio, a artista incorpora guitarras industriais e texturas mais sujas sem abrir mão dos ganchos pop irresistíveis. É um disco que abraça o exagero sem medo.
Hyperpop, pop dos anos 2000, rock e música eletrônica convivem em uma coleção de faixas divertidas, provocativas e muito bem produzidas. Slayyyter demonstra confiança artística e transforma o caos em sua identidade. Há espaço tanto para a agressividade de Crank quanto para a delicadeza de Unknown Loverz, mostrando um ótimo equilíbrio entre força e sensibilidade.
O álbum não é exatamente inovador ou revolucionário, mas é extremamente bem executado. Mesmo em seus momentos mais experimentais, mantém uma coesão impressionante, fazendo com que todas as influências conversem de forma natural.


09. Magia Bianca — Francesca Michielin
Francesca aposta em um pop sofisticado, com influências sutis de folk e música eletrônica. As composições valorizam melodias elegantes e letras introspectivas, enquanto o conceito do álbum estabelece uma ponte entre a Idade Média e a sociedade contemporânea por meio de comentários políticos e sociais. O projeto combina a sofisticação do art pop de Kate Bush e Tori Amos e seu toque de teatralidade, resultando em um trabalho delicado, ambicioso e cheio de personalidade.
É um álbum curto, envolvente e muito agradável de ouvir. Boa parte das cantoras atuais que seguem essa vertente mais sofisticada do pop são chatinhas e não costumam me prender, mas Francesca Michielin consegue soar inspirada e interessante do início ao fim.
10. To Hell and Back – Des Rocs
Rock and roll visceral, grandioso e teatral. Des Rocs entrega um trabalho feito sob medida para grandes palcos, transbordando energia, riffs marcantes e solos de guitarra eletrizantes.
O disco mistura hard rock, blues e garage rock com naturalidade, passeando por influências do rock clássico das décadas de 1950, 1970 e 1980 sem soar preso ao passado ou excessivamente nostálgico. Os refrões são fortes e memoráveis.
Entre os destaques, When The Love Is Gone se sobressai com um refrão irresistível, sustentado por uma bateria pulsante e um solo de guitarra que eleva a música ao seu ápice. É um álbum que celebra o rock em sua forma mais explosiva, sem abrir mão de personalidade.

OUTROS DESTAQUES:
Dear God — The Pretty Reckless
PLAY ME — Kim Gordon
When A Flower Doesn’t Grow — Softcult
CO.WAR.DICE. — Marmozets
Satellite — Charlotte Sands
U — Underscores
EQUILIBRIVM — Anitta
IT’S NOT REAL — Ella Red
locket — Madison Beer
Queen of Texas — Solya
Veils — Vanessa Carlton
UNADULTERATED — Roman Candle
Bad Choices — Sypha
MAITREYA CORSO — Maya Hawke
ENEMY — KMFDM
Be Sweet to Me — Violet Grohl
Fósforos & Pregos — Égua Selvagem

Fósforos & Pregos é o primeiro capítulo de um projeto muito especial para a gente. Em 2026, nós do Cultura Pop a Rigor lançamos um trabalho musical produzido com o auxílio de ferramentas de IA. Como sempre tive um carinho especial por bandas de rock com vocais femininos, resolvi criar uma banda fictícia inspirada no movimento riot grrrl. Assim nasceu a Égua Selvagem, formada pela vocalista e guitarrista Marcela Tindó, a baixista Mayara Mattos, a guitarrista Jaque Wang e a baterista Alex Manso.

A Dri ficou responsável pelas letras — bem boas, por sinal —, algumas desenvolvidas a partir das ideias minhas para as personagens e outras criadas com total liberdade. Ela também assinou a produção do álbum, e minha participação nessa etapa foi nenhuma. Posso dizer que o resultado me agradou bastante: um disco que transita entre hard rock e grunge, com letras em português e inglês, que chega a brincar com o folk e até fazer uma inesperada referência a Bezerra da Silva. Trabalho Sujo é a minha faixa favorita.
Este é apenas o começo da experiência. A segunda parte do projeto está prevista para chegar no segundo semestre.

Cinema, música, tokusatsu e assuntos aleatórios, não necessariamente nessa ordem





