| Título: | Spider-Noir |
| Título Original: | Spider-Noir |
| Showrunner: | Oren Uziel |
| Direção: | Harry Bradbeer, Alethea Jones, Nzingha Stewart, Greg Yaitanes |
| Roteiro: | Oren Uziel, Jennifer Frazin, Megan Liao, Jack Henderson, Steve Lightfoot, Christopher Chen, Bruce Marshall Romans, Tori Sampson |
| Elenco: | Nicolas Cage, Lamorne Morris, Li Jun Li, Karen Rodriguez, Brendan Gleeson, Jack Huston, Abraham Popoola, Andrew Lewis Caldwell, Lukas Haas |
| País: | EUA |
| Ano: | 2026 |
De Homem-Aranha no Aranhaverso ao live-action: Nicolas Cage é Spider-Noir em série do Prime Vídeo
Recentemente, o Prime Video lançou a série Spider-Noir, uma versão detetivesca do aracnídeo ambientada na Nova York dos anos 1930. O personagem chamou atenção em Homem-Aranha no Aranhaverso, longa que reuniu diferentes versões do herói, sobretudo pela atuação de Nicolas Cage, que lhe emprestou a voz. Agora, em live-action, temos o ator em carne e osso interpretando o detetive particular que também escala paredes.

Eu costumo manter certa distância das adaptações de quadrinhos de super-heróis para a TV. Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro, da Netflix, me decepcionaram, enquanto a CW nunca chegou a produzir nada que realmente merecesse atenção. Mas, este ano, resolvi abrir duas exceções: Lanternas, pelos fatores HBO e Damon Lindelof, e Spider-Noir, pelo fator Nicolas Cage.

Geralmente, ter Nicolas Cage no elenco não é garantia de que o produto é bom, mas gosto muito do ator e acabo conferindo algumas coisas apenas pela sua presença. Já vi muitos filmes ruins com ele no elenco, como recentemente, Gunslingers, um faroeste horroroso que parece ter sido feito por um Zack Snyder sem talento (olha o nível). Mas também já vi muita coisa boa e, particularmente, sempre torço para Nicolau Gaiola se envolver em um bom projeto. Spider-Noir acabou se revelando um deles, apesar de eu ter começado a acompanhar a série com alguma desconfiança.

Spider-Noir acompanha Ben Reilly (Nicolas Cage), um detetive particular envelhecido, beberrão, amargurado e azarado, que é forçado a confrontar seu passado como o primeiro e único super-herói da cidade. Cinco anos após abandonar sua identidade heroica devido a uma tragédia pessoal — o assassinato de sua amada Ruby —, Ben sobrevive investigando casos menores de adultério. Sua rotina muda quando aceita um caso que o coloca no caminho do chefão da máfia Silverman, ou Cabelo de Prata, interpretado por Brendan Gleeson, da cantora femme fatale Cat Hardy (Li Jun Li) e de outros sujeitos com habilidades sobre-humanas.

A série foi lançada em duas versões: uma em preto e branco e outra colorida. É claro que conferi a primeira, e os envolvidos estão de parabéns (sem ironia), pois trabalham muito bem a ambientação noir. O uso de luz e sombras, os cenários e os enquadramentos típicos do gênero são esplêndidos. Essa é a diferença entre realmente se apropriar das referências ou simplesmente utilizá-las de forma superficial. Ao assistir a Spider-Noir, você se sente transportado para outra época, algo que não aconteceu no chatíssimo filme recente do Quarteto Fantástico, por exemplo.

Nicolas Cage está perfeito como o protagonista. Felizmente, a produção deixou o ator livre para criar e todos que viram Vício Frenético ou A Outra Face sabem que é aí que mora a diversão de vê-lo em cena. Dono de um merecido Oscar de Melhor Ator, muitos parecem não perceber o controle que Cage tem sobre seu tão comentado overacting. Ele sabe perfeitamente como e quando exagerar. Nicolas Cage solto é um deleite.
Assim como já recriou Nosferatu ao interpretar um sujeito perturbado que acreditava ser um vampiro em Um Estranho Vampiro, Cage mergulha de cabeça nos grandes detetives do cinema noir e, ao mesmo tempo, explora as estranhezas físicas de um personagem geneticamente modificado com habilidades de aranha. Isso proporciona ótimos momentos. É mais ou menos o mesmo nível do momento da transformação de Cage no Motoqueiro Fantasma no segundo filme do personagem, que considero muito melhor que o primeiro. O fato de a produção ter tido coragem de deixar Cage soltinho para construir sua versão do herói mais popular dos quadrinhos já é uma recompensa para quem decidiu acompanhar a série. Os caras realmente entenderam que quando se escala Cage para seu elenco é para deixá-lo dar show.

Bem, mas Cage não está sozinho. Ele está cercado de bons coadjuvantes. Lamorne Morris está ótimo como o repórter Robbie Robertson, que vai além de ser apenas a consciência de Reilly, enquanto Li Jun Li é bastante interessante como a femme fatale Cat Hardy, em um misto de doçura e mistério. Karen Rodriguez quase rouba a cena de Cage no papel da secretária Janet, uma espécie de Effie Perine, de O Falcão Maltês, para Ben. Já os vilões, todos versões de clássicos do universo do Aranha, aparecem na medida certa para fazer a trama do protagonista e seus conflitos avançarem.

Spider-Noir também me conquistou por finalmente ser uma obra de super-heróis que não precisa ficar evidenciando discursos motivacionais. Tudo está muito natural e bem incorporado ao roteiro da série. E, felizmente, também não temos o famigerado multiverso para estragar a imersão nessa realidade. Spider-Noir é uma produção de super-heróis realmente adulta, distante tanto das presepadas de Deadpool quanto da verborragia irritante das extintas séries da Netflix.
Cotação:


Cinema, música, tokusatsu e assuntos aleatórios, não necessariamente nessa ordem




