A franquia supersentai passou a precisar de Power Rangers, mas aparentemente os rangers também precisam das sentais
Em 1975, estreou Gorenger, série de super-heróis criada por Shotaro Ishinomori e produzida pela Toei. Foi aí que começou a jornada das equipes coloridas. Mas, o que hoje chamamos de Super Sentai não começou imediatamente como uma franquia anual. Depois de Gorenger veio J.A.K.Q., em 1977, que não agradou tanto. Então em 78, em vez de esquadrão, tivemos a serie do Homem-Aranha. Em 79 veio Battle Fever J, já com robô gigante, depois vieram outras séries e aos poucos faram incorporando outros elementos, como os vilões alienígenas, a bazuca para destruir o monstro e outras características que viraram marca e consolidaram a franquia. Até, Gozyuger, de 2025, a ultima sentai até o momento.
No começo dos anos 1990, Saban comprou Zyuranger criou os Power Rangers. A série estreou em 1993. As cenas de luta, os monstros, os robôs e os Rangers transformados e até os vilões vinham de Zyuranger, em enredos rearranjados. Os protagonistas destransformados eram vividos por atores ocidentais. Power Rangers virou um fenômeno e iniciou uma longa parceria, em que as sentais de cada ano iam sendo utilizadas para dar vida a novas temporadas do Power Rangers.
Isso criou uma relação comercial bastante peculiar. Supersentai e Power Rangers não eram concorrentes, pelo contrário, as franquias se completavam, ocupando mercados diferentes. A existência de Power Rangers ajudava a transformar aquela produção japonesa em uma propriedade internacional, fazendo a Bandai, que produzia os brinquedos da sentais lucrar também no resto do mundo. A empresa, aliás, reconhecia explicitamente essa conexão em seus relatórios corporativos: os personagens estabelecidos de Super Sentai eram populares nos mercados estrangeiros como Power Rangers.
Mas aí o dinheiro começa a mudar de mãos. Em 2018, a Hasbro comprou a franquia Power Rangers da Saban, só que a empresa não estava comprando apenas uma série de televisão. Estava comprando uma marca. O que inclui potencial de brinquedos, produtos, jogos, filmes e séries. Ou seja o acordo deixou de ser tão interessante para os japoneses. Por outro lado, a Hasbro também queria que Power Rangers deixasse de ser apenas uma adaptação anual de Super Sentai. Afinal eles controlavam Power Rangers, mas o material visual básico continuava vindo da franquia japonesa. Anterior a esses acontecimentos, no Japão, as Super Sentai vinham perdendo força. O publico mudou, a tv mudou, e a audiência caiu. Atualmente, a Toei tem sido bem mais bem-sucedida com a franquia Kamen Rider. Sendo assim, sem o interesse da Hasbro em continuar comprando as séries, as sentais foram colocadas em pausa.
Voltando a Power Rangers, a franquia está sem casa. Depois de Cosmic Fury, de 2023, que saiu pela Netflix e não ganhou uma segunda temporada. Em março de 2025, foi anunciado que Jonathan E. Steinberg e Dan Shotz, responsáveis por Percy Jackson and the Olympians, estavam em negociações para desenvolver uma nova série de Power Rangers para o Disney+, mas em agosto de 2026, surgiu a notícia de que a Disney havia abandonado o projeto.
E o motivo teria sido grana. Segundo as informações divulgadas a partir do Deadline, o projeto foi considerado caro demais, especialmente porque a Disney não é dona da marca Power Rangers. O que é curioso, porque os japoneses conseguem fazer figurinos, monstros, robôs, com um orçamento pequeno.
Durante décadas, Power Rangers precisava de Super Sentai porque Super Sentai fornecia: os trajes, os monstros, as lutas, os robôs, as cenas de ação e, em última análise, uma estrutura de produção. Mas Super Sentai também se beneficiava de estar ligado a uma marca que levava aqueles personagens para outros mercados






