| Título: | Fiveman |
| Título Original: | Chikyu sentai Fiveman |
| Showrunner: | Saburo Yatsude |
| Direção: | Masao Minowa |
| Roteiro: | Hirohisa Soda, Kunio Fujii, Toshiki Inoue, Mami Watanabe, Saburo Yatsude |
| Elenco: | Toshiya Fuji, Kei Sindachiya, Ryouhei Kobayashi, Kazuko Miyata, Megumi Sakita, Takeshi Ishikawa, Kihachiro Uemura, Hatsue Nishi, Haruko Watanabe |
| País: | Japão |
| Ano: | 1990 |
Chikyu Sentai Fiveman: uma super sentai injustiçada?

Recentemente, a Toei decidiu colocar em pausa a franquia Super Sentai, exibida de forma ininterrupta desde 1979. A decisão reacendeu discussões sobre a longevidade da marca e também trouxe à memória outros momentos em que os famosos esquadrões coloridos estiveram próximos de desaparecer. Um dos capítulos mais delicados dessa história ocorreu no início dos anos 1990, justamente durante a produção de Chikyu Sentai Fiveman.
A crise já vinha se desenhando há algum tempo. Kousoku Sentai Turboranger havia enfrentado dificuldades, e Fiveman, exibido em 1990, não conseguiu reverter a situação. A série teve desempenho comercial abaixo do esperado e, diante desse cenário, a Toei chegou a considerar que a produção seguinte, Choujin Sentai Jetman, poderia ser a última aventura da franquia.

Jetman acabou surpreendendo ao conquistar grande popularidade e recuperar o interesse do público. O sucesso da série afastou, ao menos naquele momento, a possibilidade de encerramento da franquia. E essa recuperação seria apenas o primeiro de dois acontecimentos fundamentais para garantir a sobrevivência e a expansão de Super Sentai. Pouco depois, a Toei estabeleceu uma parceria com a Saban Entertainment, que utilizou elementos e imagens de produções japonesas para criar Mighty Morphin Power Rangers para o mercado norte-americano. O enorme sucesso da adaptação transformou os heróis japoneses em um fenômeno internacional e abriu uma nova etapa para a marca.

Justamente por ter surgido em um dos períodos mais delicados da história de Super Sentai que Fiveman acabou carregando, ao longo dos anos, uma reputação bastante negativa entre os fãs. A série frequentemente aparece associada à ideia de ser um dos pontos mais baixos — e, para alguns, até mesmo o pior — da franquia. Mas será que essa fama é realmente justa? Depois de assistir à série completa recentemente, digo que não.

É importante reconhecer que Fiveman possui problemas. Há episódios irregulares e momentos em que a produção parece não saber exatamente que direção seguir. No entanto, reduzir a série a um fracasso é ignorar suas qualidades, suas boas ideias e momentos bastante divertidos e inspirados. Parte da reputação negativa parece estar diretamente relacionada ao contexto em que Fiveman foi produzido. A série chegou justamente quando Super Sentai atravessava dificuldades comerciais e criativas. Como a franquia vivia um momento de crise, Fiveman acabou se tornando uma espécie de símbolo daquele período. A verdade é que Fiveman pode estar longe de ser uma das melhores produções da franquia, mas também está longe de merecer o rótulo de pior Super Sentai de todos os tempos. Existem produções mais fracas, mais inconsistentes e menos interessantes. Quando analisada fora do peso histórico que acabou carregando, Fiveman revela-se uma série bem mais simpática e envolvente do que sua reputação sugere.

A história de Fiveman começa em 1970, no planeta Sedon. O Dr. Hoshikawa dedica-se a uma pesquisa ambiciosa: transformar o planeta, até então árido, em um mundo verde e exuberante. Seus estudos concentram-se no cultivo de plantas e flores, e seu trabalho finalmente alcança um momento histórico. A alegria, entretanto, dura pouco. No mesmo dia, o Império Galáctico Zone inicia um devastador ataque contra o planeta. O Dr. Hoshikawa e sua esposa são obrigados a se separar dos cinco filhos na tentativa desesperada de salvá-los. Para proteger as crianças, o robô Arthur recebe a missão de levá-las até a Terra, onde elas poderiam crescer em segurança.

Vinte anos se passam. Os cinco irmãos Hoshikawa cresceram e se tornaram professores. Mas a tranquilidade chega ao fim quando o Império Zone volta sua atenção para a Terra, escolhida como seu milésimo planeta a ser destruído. Diante da ameaça, os irmãos deixam temporariamente a vida de professores e assumem suas identidades como Fiveman, formando um esquadrão disposto a enfrentar Zone e defender a humanidade.
A premissa combina elementos bastante semelhantes com uma famosa série da franquia que foi exibida aqui no Brasil. (invasão alienígena, tragédia familiar, vingança e defesa da Terra). Muito já foi comentado sobre as semelhanças entre Fiveman e Flashman (Super Sentai de 1986) e realmente há algumas.

As duas produções apresentam crianças separadas de suas famílias por forças alienígenas e que, duas décadas depois, acabam enfrentando os responsáveis por suas tragédias. Em ambas, portanto, o passado dos protagonistas está diretamente ligado à ameaça que eles precisam combater no presente. Outra semelhança importante está nos robôs que acompanham os heróis. Tanto Arthur, em Fiveman, quanto Mag, em Flashman, foram criados para proteger, orientar e auxiliar os protagonistas durante suas jornadas.

As conexões entre as duas séries vão além da estrutura narrativa. Fiveman também conta com a presença de dois atores que haviam participado de Flashman. Kihachiro Uemura, intérprete de Dan/Dai, o Green Flash, retorna em Fiveman no papel do vilão Chevalier. Já Yoko Nakamura, que interpretou Sarah, a Yellow Flash, participa do episódio 35 como uma amiga de Gaku/Five Red.

Isso reforça a sensação de familiaridade entre as duas produções. Para quem conhece Flashman, Fiveman muitas vezes parece revisitar conceitos e situações já explorados alguns anos antes. Ainda assim, a série apresenta elementos próprios que ajudam a diferenciá-la, especialmente o fato de seus cinco integrantes serem irmãos e trabalharem como professores. Essa combinação confere à equipe uma identidade peculiar e um charme próprio, embora o roteiro nem sempre consiga explorar todo o potencial dessas ideias. Assim como Flashman, Fiveman também combina momentos dramáticos com situações de humor. Talvez seu principal problema esteja justamente na forma como esses dois tons são trabalhados. A série dos jovens do planeta Flash consegue fazer essa transição de maneira mais gradual e natural, enquanto Fiveman muitas vezes alterna entre o drama e a comédia de forma mais brusca.

Em um episódio, por exemplo, o Monstro da Semana é uma garota inocente apaixonada por Billion, um dos vilões. Manipulada por seus sentimentos, ela acaba sendo usada para tentar destruir os Fiveman. Em outro momento, porém, a série apresenta um garoto perseguido por seu próprio aparelho de televisão, trocas de corpos, e ainda fantoches dos heróis e do vilão Garoa comentando as aventuras — uma ideia que se estende por vários episódios. Em Fiveman, drama e comédia muitas vezes se tropeçam. Essa irregularidade não chega a comprometer a série, mas é um dos fatores que desagradam seus detratores.

Fiveman é uma série bacana na maior parte do tempo. Seus heróis e vilões não são muito aprofundados, mas, deixando isso de lado, ainda temos uma produção com bastante criatividade. Os cenários são um ponto positivo. Vulgire, a base espacial do Império Galáctico Zone, tem um visual bacanudo e é um dos elementos que mais chamam atenção na série. As batalhas de mechas são bem boas na maior parte das vezes, e Gorlin, o agigantador do Império Zone responsável por aumentar os monstros da semana, é outro destaque positivo. Com um visual que lembra bastante o mascote da Michelin, ele protagoniza um dos momentos mais engraçados de toda a franquia.

O vilão Chevallier é ótimo. Ele é carismático, exagerado na medida certa e funciona muito bem. Eu gostei bastante de suas cenas de cantoria, além do retorno dos Gingaman, da primeira metade do seriado, como seus comparsas. Outro exemplo de humor bem sacado da série é o Capitão Garoa sendo rebaixado e obrigado a lavar o banheiro do Império Zone. É uma situação tão absurda para quem acompanha a franquia (O Giluke de Changeman não teve que passar por isso) que funciona muito bem e acaba se tornando um daqueles momentos de humor que dificilmente são esquecidos.

Fiveman peca mesmo por adiar demais seus momentos decisivos. A derrota do robô gigante, por exemplo, acontece bem tarde e poderia ter sido usada para provocar mudanças mais significativas na história. A revelação da verdadeira identidade do vilão final é boa e poderia ter funcionado muito melhor se tivesse sido preparada com mais cuidado ao longo dos episódios. O mesmo vale para a verdadeira identidade da Imperatriz Galáctica Meadow. Faltou ao roteiro construir essas revelações de maneira mais gradual, criando pistas e preparando o público para o que estava por vir. Vale dizer que a enorme projeção do rosto de Meadow é visualmente muito bacana.

Não foi nenhum sacrifício acompanhar Fiveman. A série tem seus altos e baixos, mas, no balanço geral, os momentos bons ainda superam os problemas. É uma produção irregular, mas que consegue ser divertida, criativa e, em vários momentos, bastante carismática. Enfim, Fiveman dificilmente entraria na lista das minhas séries favoritas da franquia, mas está muito longe de ser uma das piores. Depois de assistir à série completa, acho que sua reputação negativa é exagerada. Ela tem defeitos, mas também tem qualidades suficientes para merecer uma avaliação mais justa.
O posto de pior Super Sentai ainda pertence a Turboranger.
Cotação:


Cinema, música, tokusatsu e assuntos aleatórios, não necessariamente nessa ordem






